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Prof. Marcelo Visintainer Lopes
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terça-feira, 10 de novembro de 2020

Aula de veleiro Floripa - diminuindo o tamanho da vela grande

 Melhor rizar errado ou não rizar?

"Rizar a vela significa diminuir o seu tamanho"



Foto: Veleiro escola Oceano VI velejando em Floripa

  

Por Marcelo Visintainer Lopes

Instrutor de Vela

Escola de Vela Oceano

 

Qual a melhor hora para rizar a vela grande?

Você espera o leme pesar e a situação piorar ou logo alivia a pressão?

Cada barco possui o seu grau particular de tolerância ao vento, mas em geral os ventos acima de 20 nós começam a produzir adernações menos controladas e alguma perda do leme (perder o controle).

Velejadores mais conservadores preferem se antecipar e rizar a vela mais cedo e bem antes da entrada do vento.

Muitos deles rizam a vela antes de anoitecer, pois realizar manobras com a luz do dia é bem mais seguro e prudente do que esperar a noite cair.

Ah, mas e a velocidade?

Tá com pressa de que?

Perder um pouco de velocidade faz muito mais sentido do que perder um tripulante em uma manobra noturna com mar ruim.

Velejadores mais experientes e menos conservadores vão empurrando com a barriga até mais próximo da entrada do vento e até minutos antes dele entrar.

Estes mesmos velejadores não costumam rizar preventivamente ao anoitecer, pois devem estar com a previsão de vento bem acertada.

Não importa se você está no primeiro ou no segundo caso, já que o mais importante é ter conhecimento sobre o barco, sobre a capacidade da tripulação e sobre a sua própria capacidade técnica de fazer as coisas certas na hora certa.

Conheço um terceiro perfil que já sai da marina com a vela rizada independente da velocidade do vento, não importando se sopra com 10 ou com 40 nós.

Casos extremos assim podem estar ligados a alguma experiência anterior ruim, excesso de zelo, medo ou até mesmo pela necessidade de diminuir o peso do leme por causa da tendência exagerada de orça (causada pelo excessivo caimento do mastro para trás). 

Neste último caso a pessoa se vê obrigada a velejar com menos vela grande, enquanto o correto seria ela reposicionar o mastro mais em pé.

Meu conteúdo de hoje visa demonstrar o passo a passo do rizo para que você consiga atingir a perfeição na manobra e para que o sistema funcione com 100% de eficácia.

O mais importante antes de iniciar o assunto é lembrar que os cabos do rizo devem estar sempre prontos para o uso (passados na vela), pois não há como passá-los depois que a vela for içada.

Para conseguir passar o cabo com a vela para cima você teria que subir na retranca e caminhar até a ponta para fazê-lo.

Esquece isso!!

Baixar a vela e passar o cabo é a solução mais segura neste caso, mas o ideal seria nem ter subido a vela sem ter passado os cabos...

A vela apresenta linhas horizontais de ilhóses pequenos com argolas ou olhéus (ilhós grande) nas extremidades da testa e da valuma.

Cada linha destas representa uma “forra de rizo”.

A primeira forra é a mais de baixo (próxima da retranca).

A segunda fica logo acima e a terceira mais acima ainda.

Caba barco possui um número de forras de rizo diferente, mas o mais comum é duas forras.

Cada forra de rizo deverá possuir seu próprio cabo.

Os cabos são controlados através dos stoppers ou diretamente por baixo da retranca, junto ao garlindéu.

Eles passam por dentro da retranca (mais comum) e lá na ponta eles saem pelas roldanas.

Das roldanas toma o rumo dos olhéus da valuma e depois voltam para a retranca (amarração em torno dela).

Antigamente não tínhamos o lazyjack e o procedimento era mais fácil de ser visualizado.

O lazyjack esconde tudo o que está ali atrás e é justamente nesta área que devemos manter nossa atenção.

Depois de baixar o lazyjack verifique a posição/ajuste da amarração dos cabos de rizo junto à retranca.

A preparação da manobra é executada com mais facilidade se o barco estiver velejando no contravento, já que a retranca estará em cima do convés.

A atenção na posição da amarração na retranca é em função do quanto vamos precisar esticar a esteira.

Se a velejada for de contravento é vital que você consiga esticar ao ponto de deixá-la como uma tábua (sem curva).

Neste caso você deverá correr o nó da retranca para além da vertical do olhéu do rizo (em direção à popa).

De 10 a 15 cm mais para trás que o olhéu serão suficientes para tirar a curva da vela.

Se a velejada for de popa. o ponto do nó na retranca pode fica bem na vertical do olhéu, deixando a esteira com um pouco mais de curva.

Se o rizo for mal executado e a esteira permanecer muito gorda (para contravento), repita a operação correndo o nó mais para trás.

Sempre que assisto vídeos de velejadas de vento forte eu costumo prestar muita atenção na situação da vela junto à retranca.

É justamente ali que identifico um rizo mal executado.

Já vi de tudo o que foi coisa, mas o erro mais comum é o cabo sair da roldana da ponta da retranca e ser amarrado diretamente no olhéu.

Já vi também o cabo saindo da roldana, passando pelo olhéu do rizo e retornando para a ponta da retranca (para a alça do amantilho).

Quando um rizo é bem executado o olhéu do punho deverá ficar a poucos centímetros da retranca (2 a 5 cm no máximo).

A função da passada do cabo pelo olhéu e depois a descida para contornar a retranca na “vertical atrasada” (em direção à popa) serve para fazer a retranca subir até a altura do olhéu (sem ficar caída na diagonal) e para distribuir, de maneira mais harmônica, os esforços sofridos pelo punho de escota (punho do rizo).

Nas outras duas situações, todo o esforço sobre o punho será aplicado na diagonal, sem a devida distribuição das forças.

A aplicação desta força “diagonal” produz uma ruga permanente e leva à deformação do perfil na parte inferior da vela.

Alguns barcos mais antigos possuem uma alça específica para amarração do cabo junto à retranca e os mais modernos já exigem uma amarração em torno dela.

A amarração é feita com o “Nó de Rizo” ou com o Lais de Guia de correr (o nó é dado em volta do cabo que desce do olhéu).

Os dois nós possuem a mesma função de gerar aperto em volta da retranca quando o cabo é esticado.

Duas voltas de cabo em volta da retranca são mais eficazes do que apenas uma, pois elas aumentam o atrito e diminuem a chance do cabo correr para vante quando caçado.

 

Observações importantes:

- Se você estiver navegando no contravento inicie o procedimento somente após a vela panejar por inteiro. A panejada alivia toda a pressão do vento sobre o procedimento.

- Se estiver navegando com vento de popa ou través será necessário velejar no contravento para que ocorra a panejada.

- Barcos com lazyjack devem iniciar o procedimento arriando o lado de barlavento da capa a fim de visualizar/corrigir o posicionamento do cabo ou uma beliscada na vela.

- Antes de iniciar o procedimento avalie todos os cabos envolvidos, as fixações junto ao garlindéu (gancho do rizo), os moitões de desvio no pé de mastro e também os nós.

- Depois de tudo conferido, faça uma revisão do passo a passo com a sua tripulação e também defina as funções (quem vai fazer o que e como).

- Realizar o rizo utilizando a genoa é estratégico, já que ela ajuda no equilíbrio do barco.

 

Passo a passo:

 

1.Folgar o burro.

O burro caçado impede que a manobra do rizo seja executada com perfeição, pois ele não deixa que a retranca alcance o olhéu do rizo no punho da valuma.

2.Folgar a escota do grande até ela panejar por inteiro.

3.Liberar a adriça até que a argola do primeiro rizo chegue na altura do gancho do garlindéu.

4.Fixar a argola no gancho.

5.Esticar a adriça até aparecer rugas verticais bem destacadas na testa.

6.Caçar o cabo do rizo até a vela ficar plana (curva zero no contravento e mais curva no popa).

7. Verificar se a vela não ficou “mordida/beliscada” junto à retranca.

Se estiver mordida, libere imediatamente o cabo do rizo até desfazer e depois cace novamente.

8.Caçar a escota para colocar a vela em funcionamento.

9.Regular o burro novamente.

10.Subir o lazyjack.

 

Se você preferir utilizar o motor ao invés da genoa, também dá, porém em dias de ondas maiores eu aconselho a usar também a genoa para ajudar no equilíbrio.

Abrindo a genoa e fazendo-a funcionar com certa pressão diminuiremos o balanço lateral e o risco de algum tripulante cair na água.

Um rizo bem feito deixa a vela parecendo uma tábua, mas não se assuste...

A curva irá aparecer assim que o vento enfunar a vela.

Depois de se apropriar deste conteúdo você nunca mais vai cometer erros!

Se achou complicado faça um checklist e deixe-o na mão!

Bons ventos!


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