contato

Base Florianópolis - Santo Antônio de Lisboa
fone: 48 988113123
Prof. Marcelo Visintainer Lopes
escoladevelaoceano@gmail.com

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Velejar - Dicas de ouro #4 - O planejamento da melhor rota

Escola de Vela Oceano Florianópolis

O planejamento da melhor rota

 

Por Marcelo Visintainer Lopes

Instrutor de Vela

Escola de Vela Oceano



Escola de Vela Oceano - banner Dicas de Ouro #4

 

Na segunda-feira (21 set) teve início mais um módulo do curso de vela oceânica - M4 (Personal Sailing).

O curso é realizado em dois dias consecutivos com pernoite a bordo (20 horas de prática).

Embora eu inicie a avaliação das condições uma semana antes da saída, a decisão final do destino ocorre minutos antes da partida, após reunião com os tripulantes.

Minha primeira opção sempre é a volta da ilha e a segunda é a região de Porto Belo.

Analisando os modelos e levando em conta os objetivos do curso e também dos contratantes, decidimos velejar para Porto Belo.

O bacana deste destino é que existem diversas opções de abrigo pelo caminho.

Ganchos, Zimbros, Ilha do Macuco (Amendoim) e até mesmo Bombinhas servem de apoio para a travessia.

Com o passar das horas podemos perceber que nem sempre o plano A será o melhor para encarar as condições impostas pelo mar e por isto é importante que tenhamos outros pontos de apoio.

Diversas vezes eu transformei o plano A em outras letras do alfabeto.

A resiliência é uma das bagagens mais importantes na vida de uma velejador!

É normal que ocorra mudança de plano e não há nenhum problema em não alcançar o destino planejado.

No caso específico desta velejada de dois dias, seguir a favor do vento e das ondas foi a nossa opção.

Na ordem das minhas preferências eu prefiro pegar mar a favor na ida e na volta (nem sempre isto é possível).

Minha segunda preferência é pegar condição contrária no primeiro dia e favorável no retorno.

A terceira é velejar a favor no primeiro dia e voltar contra o vento no segundo dia (desde que as condições sejam mais confortáveis).

Analisando a opção de “volta da ilha” entendi que a previsão de vento do segundo dia não era favorável para empurrar o barco pelo lado de fora da ilha, ainda mais com o tamanho de ondulação prevista (2 a 2,5m).

Para o barco andar para frente com mar de popa, o vento deve soprar de moderado a forte, pois do contrário as velas ficam batendo forte de um lado para o outro sem nenhuma pressão e o barco balança sem parar.

A previsão do primeiro dia era de ventos de 15 a 21 kt e no segundo o mar e o vento diminuiriam.

Embora o período estivesse bem alto a ondulação de vento não estava alinhada com o swell primário, produzindo uma ondinha “atravessada” de meio metro.

A volta (terça) seria de contravento, mas eu já havia previsto um retorno tranquilo.

Tudo saiu dentro da previsão e a velejada com o mar mais alinhado foi bem bacana.

Se a previsão estivesse indicando ventos fortes para a volta, com certeza o nosso planejamento não seria este, mesmo com apenas um dia de velejada contra.

Falando em travessias prolongadas:

O impacto constante das ondas sacrifica o casco, a mastreação e também a tripulação.

A adernação do contravento e os movimentos de subida e queda brusca nas ondas dificultam as atividades essenciais a bordo e também diminui o número de beliches úteis.

Se o objetivo estiver bem contra o vento, a velejada envolverá múltiplas cambadas e o tempo de travessia poderá facilmente dobrar ou triplicar, ainda mais se houver correnteza contrária.

É normal ocorrer também a perda na qualidade da alimentação, ainda mais se não houver um cozinheiro ninja a bordo.

A tripulação vai se virando com ovos cozidos, biscoitos, frutas e sanduiches e este tipo de alimento não cumpre as funções de esquentar o corpo e gerar prazer.

O alimento quente é entendido como uma recompensa e a sua produção é essencial para manter a moral da tripulação.

Com a ajuda do forno e de uma panela de pressão, o cozinheiro ninja encara o desafio de cozinhar aos solavancos.

Por estas e por outras é que as velejadas a favor do vento são mais aconselhadas para quem deseja realizar uma viagem dos sonhos.

Existem algumas exceções para um comandante optar por realizar uma travessia contra o vento:

1. Dias de mar calmo, com vento moderado e constante e com um rumo que leve direto ou próximo ao destino.

Com estas condições de mar (se a corrente não for contrária), o barco desenvolverá uma boa velocidade real.

Navegar em um bordo só, direto ao destino e com o mar nestas condições, pode se transformar na “velejada da vida”.

Esta é a mais pura verdade, principalmente no calor do verão.

Neste caso, o vento aparente funciona como um ventilador ligado, fazendo com que a sensação de calor diminua.

2. Quando não houver outra opção por causa de agenda...

Data marcada para chegada, tripulantes com passagem marcada etc.

3. Locais onde a predominância do vento é sempre contra.

Daí realmente não existe outra maneira!

Velejar no contravento às vezes não é tão ruim, mas a ansiedade pode levar o comandante a tomar a decisão errada.

Se der para esperar pela mudança do vento, espere!

Se der para cancelar a missão, cancele!

Se não der para esperar, procure tripulantes que possam ajudar de verdade!

Estude friamente a possibilidade de enviar o barco de outra maneira.

Lá no sul é muito comum o pessoal optar pelo transporte de caminhão para não ter que sair pela barra de Rio Grande.

Planejamento e bom senso!

Tem um ditado na vela que diz: é melhor se arrepender de não ter ido do que se arrepender de estar lá!

A sensação de que “teria sido bom” é bem melhor do que o arrependimento de estar no lugar errado na hora errada.

 

Vela Oceânica em Florianópolis, Aula de Vela em Floripa, Escolas de Vela no Brasil
Aprenda a velejar em Floripa, Escola de Vela Oceano, Universidade da Vela no Brasil
Veleiro Floripa, Barco à Vela Florianópolis, Charter de Veleiro em Floripa
Como aprender a velejar? Quero aprender a velejar, Velejar é uma arte
Aluguel de barco em Floripa, Aluguel de Veleiro para comerciais e filmes
Curso de Veleiro, Escola de Veleiro, Curso Navegação Costeira, Curso Iatismo
Travessias Oceânicas, Vela de Cruzeiro, Curso de Vela de Cruzeiro
Escola de Iatismo, Vela de Cruzeiro, Vídeos de Veleiro, Vídeos Velejando
Professor Marcelo Visintainer Lopes, Velejar, Onde aprender a velejar?
Escola de Vela Itajaí, Curso de Vela Oceânica Itajaí, Aula de Vela Itajaí
Escola Veleiro Itajaí, Velejar Itajaí, comprar veleiro, vender veleiro, aulas de iatismo
Morar em um veleiro, morar a bordo, quanto custa morar em um veleiro