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Prof. Marcelo Visintainer Lopes
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sexta-feira, 27 de março de 2020

O acesso à vela no Brasil


Foto Escola de Vela Oceano na Marina Itajaí - veleiro de travessia oceânica



Por Marcelo Visintainer Lopes – Escola de Vela Oceano

Instrutor de Vela e Consultor Náutico


Muitas pessoas reclamam com razão da dificuldade de acessar os espaços que oferecem a prática da vela.
Querem chegar perto de um veleiro, mas o clube é fechado.
Querem informações sobre determinado barco que viram lá de fora e não conseguem entrar.
São fatos... O Brasil não está preparado para receber pessoas que buscam informações sobre veleiros e sobre o mundo náutico.
Informações virtuais ok, está tudo lá. Só que a pessoa quer ver de perto, quer saber como funciona, quer saber quanto custa e mais do que isto quer conversar com um velejador e trocar uma ideia.
Conheço poucos lugares que são abertos para isto. A minha marina em Santo Antônio de Lisboa - Florianópolis é um destes espaços abertos que qualquer pessoa pode chegar e bater um papo. O problema é que os barcos estão apoitados lá fora, mas mesmo assim é possível que com uma boa conversa você convença um proprietário a te mostrar o seu barco. O pessoal é bem receptivo e tem algumas pessoas que moram a bordo e que estão sempre por lá.


O acesso físico a uma marina pública ou particular

Por não serem consideradas associações esportivas e sim espaços para guardar embarcações, o acesso é permitido mediante identificação.
Costumam realizar visitas guiadas, já que o objetivo é locar espaços.
Quando restam muitas vagas para locação a recepção costuma ser bastante cordial, mas quando a marina está lotada é diferente.
De todo jeito, só indo até uma delas para descobrir. O ideal é fazer contato prévio para evitar constrangimentos.
Existem boas escolas de vela sediadas em marinas e o seu acesso é livre.


O acesso físico ao clube

Os clubes de vela são restritos aos associados e seus convidados.
São socialmente fechados exigem a indicação de sócios mais antigos para você conseguir se associar.
Por outro lado as escolas de vela foram obrigadas a permitir o acesso de “não sócios” devido à necessidade permanente de atletas para as categorias de base.
Esta talvez seja a sua chance de visitar a escola e depois o clube.


Fora dos clubes e marinas - o acesso virtual

Antes do surgimento da Família Schurmann e do Amir Klink o interesse pela vela era bem pequeno e até o número de praticantes era insignificante se comparado a outros esportes.
Logo que a fama os levou à TV o interesse pelos temas ligados à navegação cresceu bastante. O misterioso e encantador mundo da vela finalmente chegou aos lares brasileiros.
Os dois sobrenomes continuam sendo as principais referências nacionais na vela de aventura e o serão por toda a vida.
O interesse pela vela só cresceu de verdade quando a internet começou a proporcionar grandes quantidades de conteúdo náutico.
A demanda por barcos novos e usados aumentou e a demanda por cursos de vela, passeios e travessias também.
Os canais no Youtube possuem cada vez mais seguidores e vão de vento em popa.
O que mais possui destaque nas águas brasileiras e o que mais encanta é o #HASHTAGSAL, do casal de velejadores Adriano e Aline.
Suas entrevistas, sempre descontraídas e interessantes, conseguem difundir o esporte muito além do que se possa imaginar.
Demonstram com simplicidade e sem nenhuma pretensão, que qualquer pessoa comum pode sonhar em um dia ter um veleiro.
Para as escolas de vela o momento é especial. Nunca se falou tanto em velejar e em morar a bordo como agora.
Definitivamente a vela está na moda!
Parabenizo a todos os canais pela contribuição de divulgar cada vez mais as belezas e o fascínio do esporte da vela.


Mudanças no ar?

Se você ainda está com dúvidas sobre começar a velejar e ainda tem algum receio de uma mudança de rumo eu vou apresentar apenas dois ou três benefícios. A lista poderia ser gigantesca, mas não é necessária agora.


Melhoria na qualidade de vida

Talvez você até tenha um estilo de vida bacana e confortável na cidade, mas nada se compara à tranquilidade e ao ar puro que vem do mar e das montanhas.
Quando velejamos, a sensação de prazer e liberdade produz alterações químicas no nosso cérebro e por esta razão sentimos euforia e felicidade (Dopamina, Serotonina e Noradrenalina).
O meu argumento preferido e que considero o grande diferencial da vela em relação a outras modalidades é a sensação de pertencimento a um grupo.
Somos uma grande família!
Se você chegar hoje, amanhã já se sentirá fazendo parte dela.
É uma coisa SEM EXPLICAÇÃO!
Estamos sempre prontos para ajudar alguém e sempre haverá alguém pronto para nos ajudar!
O veleiro nos torna mais gentis e mais agradecidos, mais solidários e mais cooperativos.
Este é o espírito marinheiro que está dentro de cada um de nós.
Seja feliz e mude para um veleiro!